Saturday, March 03, 2007


Mendigo te amor
De mão estendida
Amor de calor,
Amor de ferida.
Mendigo te amor,
Amor infinito,
O amor mais bonito…
Pois mesmo um pedinte
Tem um requisito
De algum requinte…
Amor incondicional,
Amor que faz bem,
Amor que faz mal.
Amor de desdém,
Amor de risos,
Risos bem sonoros…
Amor de saliva,
Amor pelos poros.
Amor de marcar,
De fazer doer…
De ouvir respirar
E nunca esquecer.
Amor de beijar,
De fazer sorrir,
Amor de ficar,
Sem nunca partir
Para algum lugar.
Amor de olhar,
Olhar cativante,
Amor de tocar,
Tocar vibrante…
Amor nas veias
Amor imperfeito,
Andando nas teias
Feitas com defeito.
Amor de paixão,
Amor de gritar,
De dar a mão,
E de querer estar.
Mendigo te amor
De mão estendida
Mendigo te amor
Para toda a vida.

Saturday, August 26, 2006


Nem a cidade de Paris
Me faria despertar
Se tudo aquilo que quis
Eu deixei no teu olhar.
Nem reviver o passado
Me fez sentir emoções
Se tudo me foi negado
Ah! Meras desilusões…
Nem artistas modernistas
Me poderiam excitar
Nem uma pequena conquista
Que eu pudesse dominar…
Nem a rede do jardim
Onde me posso deitar,
Nem o sol que batia em mim
E os pássaros a cantar…
Nada me tornava real
Tudo era frio, desigual
Só tu que nem existias
Só tu que já nem me vias
Pudeste chegar um dia
Dar me toda a magia…
E a rede do jardim
Com chuva a bater em mim
Pareceu me enfim paris
E eu escultura modernista…
Ah tudo que sempre quis
A minha nova conquista…

Friday, August 25, 2006


O ar fresco entra pela janela
Como é bom este respirar
E sou de novo aquela
Que um dia sonhou sonhar
Olho para ti…és tão real
Não sinto o fim,
Nem um sinal.
Fico a olhar te sem dizer nada
Enquanto olho sonho acordada…
Como eu queria dormir assim
Só para um dia olhares para mim.

Wednesday, August 23, 2006


Um dia eu quis ser ave
Outro dia prisioneira…
Quis gaiola ou entrave,
Não para a vida inteira…

Quis ser quadro de Picasso
Quis ouvir Chopin tocar
Quis ter o meu próprio espaço
Sem nunca lá querer estar.

Vida de tragedia grega,
Como se pode mudar…
Ou de comedia por entrega
Sem saber onde ficar…

Quis aprender, esquecer,
Só dançar, quis parar…
Um momento para te ver
E segundos para te olhar.

Se um dia quis ser mar,
E viver o que não vivi…
Hoje não quero mudar
Se ficares sempre aqui!

No meu mundo diminuto
Sempre tão cheio de nada
Olhei te por um minuto
Com a cara encharcada.

Toda a força que eu era
Caiu por terra, ali…
Olhei te como quem espera
Ser abraçada por ti.

Senti me tão pequenina
No canto…uma menina,
Perdida em pensamentos
De curtos e frágeis momentos.

Estendeste os braços,
Como quem me vem buscar
Só para eu poder chorar
E eu de olhos baços…

Esqueci me e não pedi
Para não ires agora
Eu chorarei mais por ti,
Se um dia te fores embora…

O teu cheiro já não está nos meus lençóis,
Nem as manchas das lágrimas que deitei,
Não há mais registo de nos dois,
Nem da magoa por tudo que passei.

Não há cigarros por ti apagados,
Nem chávenas meias de café,
Nem sequer os teus livros atulhados,
A um canto do meu rodapé.

Já não recordo mais o teu olhar,
Nem as vezes que me fizeste rir,
Nem o tempo que me fizeste esperar,
Para de novo te ver partir.

Já não me lembro de te olhar,
Por instantes enquanto dormias,
De te tentar acordar,
Dos beijos enquanto saías…

O tempo que perdi não me preocupa mais,
As noites em branco acabaram, por fim…
As recordações são pontos finais
Só tu permaneces dentro de mim…

Pintamos um quadro
Sem cores escuras
Com todo o tipo de pinturas
Feitas de alegres cores:
O amarelo, o salmão,
A cor do teu coração,
A cor do meu jardim,
Um arco-íris sem fim…
Desenhamos só sorrisos,
Imagens de paraísos,
Paisagens de sonhos bons,
A harmonia dos sons…
Desenhamos campos em flor,
Do sol…desenhamos o pôr
E o nascer do luar
(A vontade de voltar…)
Desenhamos a alegria,
Viagem de um dia-a-dia
Onde não havia o tempo.
História de um momento,
Que me fez ganhar o medo…
E eu temia em segredo
Em lugar incerto riscar,
Foi esse grande pavor
Que me fez sentir a dor
De não voltar a pintar.
Como me sentiria
Se por pintar mal um dia
Estragasse a perfeição?
Fiz rascunhos a carvão…
Hoje o quadro inacabado
Está em exposição
No museu do passado
E na dor do coração.

Oh que espera demorada…
Que fez de mim este nada,
Ao ver que foi tudo em vão!
Oh suspeita melodia…
Que quebrou toda a magia,
Quando foi mera canção.
Noites diurnas passaram,
E nem sequer te levaram
Para não te poder ver…
Finges lembrares te de mim,
Tendo como único fim
Não te poder esquecer.
Crueldade que me atinge,
Falas da tua esfinge
Sem te lembrares de mim!
E eu oiço com tal prudência,
Que caio na eminência
De quem aceitou por fim.
Por dentro eu grito bem alto
Esta dor, este asfalto
Está a corroer-me aos poucos
E estes gritos em surdina …
Fazem-me minha assassina
Neste conjunto de loucos.
E que te importa o que sinto?
Neste jogo, labirinto…
Onde não há mais saída
Eu bem sei qual o caminho
Ando por aqui perdida
Só para não ficares sozinho…


Caminho por entre a multidão,
De mão dada com a solidão.
Que me segreda ao ouvido,
«Está ali alguém parecido!»

Olho e tu não estás …
E ela volta-me a dizer
«É ele, está lá atrás!»
E eu volto a não te ver.

Solidão, não me digas nada
Também eu já estou cansada…
De o ver permanentemente
E ele não está mais presente.

Dias seguidos o vi,
O perfume dele senti,
E ouvia-o respirar
Mesmo sem ele estar!

Chora quando o vires,
Chora mais se o sentires…
As ilusões não são só tuas,
Mas nós só estamos as duas!

Ria sozinha na rua…
Enquanto olhavam para mim,
Só porque me desenhaste nua
No meio de um jardim.

Ria da tua loucura
E da minha por deixar…
Não imaginava a tortura
Que seria vir-te a amar.

Rimos juntos eu bem sei,
Mas tu recebeste e eu dei.
Rimos por coisas banais…
Sim, dei de mais…

Riste com a minha alegria,
Alegria que sugaste
E eu ria na fantasia
E só fantasia deixaste.

Hoje choro sozinha na rua,
Tento das lembranças fugir…
Não imaginam a amarguraDe só ele continuar a rir

Julgas que sabes quem sou,
Que digo sempre o que penso…
Não sabes como custou
Criar um mundo tão denso.
Julgas que te enganei
Mas enganei-me a mim
E tudo o que te neguei
Era a verdade de um fim.
Julgas que te ver feliz,
Neste ar de imperatriz
Não me desfaz cá dentro…
Nem sempre o que se come
É verdadeiro sustento.
Julgas que este sorriso
Não é de alguém que morre,
Mesmo no paraíso …
Eu acredito que chove!
E quando me afirmares,
Sem no entanto me olhares
Que viver do passado
É pouco a pouco morrer
Numa lapide a dourado,
Eu te irei escrever:
«Eu vivo do teu passado…
Não poderá mais morrer,
Quem por ti foi sepultado!»

Este silêncio que invade,
A esperança que passou…
Faz da tristeza vontade
De voltar ao que não sou.
Ou talvez eu fosse assim,
Se ele me quisesse aceitar
Onde ele já não quer estar,
Para entrar dentro de mim
E dentro de mim ficar.
Um minuto é pouco tempo
E uma hora, demais seria
Peço-te só um momento…
Um momento de alegria!
Volta a estar comigo,
Mente-me outra vez,
Deixa-me sentir o perigo,
E estar de novo a teus pés…
Depois podes fingir…
Como tu sabes fazer,
Finges que acreditas
Que eu já não te quero ver.
E como quem quer estar presente,
Com um sorriso dos teus,
Olhas para trás docemente
E de novo dizes adeus!

Tuesday, August 22, 2006


Tenho pena de ti menina
Por teres como eu a sina
Dessa crónica doença
Que vai ficando extensa…
Podendo ás vezes matar,
Tenho pena desse olhar
Fixo no infinito
E com um sorriso bonito
Por dentro estas a chorar,
Como eu te conheço bem
Como me podes descrever
É tão estranho saber
Que morre mais alguém
Daquele mal eterno,
Que vive no mesmo inferno…
E se é por ele que assim vives
Não sofras mais,
Não te castigues
Pois as paginas finais
Serão como aquelas que tenho
«espera …mas eu não venho!»

Por vezes…
No teu embalo adormeci,
Tentei-me esconder quando te vi,
Mais tarde…
Tentei-te banir da minha vida
E depois da ultima cartada
Percebi que a jogada
Estava perdida.
Tentei-te afastar,
Tentei não sentir,
Tentei-te embalsamar
Só para te admirar.
Tentei que fosses meu,
Por vezes vacilei…
Tentei não te perder
Mas foi só isso…
Só tentei!

Porque és tão rectilíneo?
Pões-me num santuário…
E eu causo te fascínio…
Quando tu és um calvário.

Porque te predispões para mim?
Porque és tão disponível?
Não vês que não gosto assim?
Que prefiro o impossível?

Porque estas quando eu preciso?
Porque chegas sem aviso?
Ás vezes sinto-me a brilhar
E que em mim te vais queimar.

Deixa-me ficar na solidão,
Deixa dizer-te que não,
Porque eu continuo a chamar
Por quem nunca mais vai estar.

Desculpa pelo dia
Em que te irei magoar
Esta história é repetida
E eu já sei que rumo vai tomar.
Desculpa pelo dia
Em que te irei esquecer,
Não me dês por perdida
Porque nunca me chegaste a ter.
Desculpa pelo dia
Em que ele irá voltar,
No fundo nunca partiu
E tu nunca ocupaste este lugar.
Desculpa pelo dia
Em que achares…
Que brinquei contigo
E sofreres, e chorares, e pensares
Em tudo que passaste comigo.
E se nesse dia me perguntares
Se sou brinquedo de alguém,
Dir-te-ei que sim,
Dele e de mais ninguém.

Se extrair o meu invólucro,
Ainda me consigo anular,
Recordar e quem sabe chorar.
Tu foste a literatura intraduzível,
Que não consegui compreender.
O número indivisível,
Onde não me consegui adicionar
O homem ou o miúdo
Que eu não queria amar.
A minha doença intratável,
A minha loucura irrefragável,
A minha aniquilação,
O meu ar,
O meu pulmão.
Foste o meu éden,
O meu paraíso terreal,
Foste o meu tudo e meu nada
Foste o meu erro fatal.
E tudo que restou
São memórias em contra-mão…
Um fóssil,
Um único fóssil…
Marcado no coração.

Sim, ainda sinto a tua falta!
E lembro com saudade,
A noite em que tive alta
Da minha estabilidade!

Agora que vejo com lucidez …
Vi-te rir entre as minhas gargalhadas,
Entre a minha embriaguez,
De garrafas espalhadas
E copos aos nossos pés.

Sim, foi nesse riso que vi
Deixares o teu mundo
Distante, monótono e enfadonho
Para entrares no meu mundo
Que eu achava ser de sonho.

E assim tive coragem
Da bebida te entornar.
Só para quebrar a margem
Só para te provocar.

E apesar de só rires
Vi nos teus olhos a euforia
De eu quebrar sem pedires,
A rotina do teu dia-a-dia.

Sim, volto a dizer-te que sim
Rodei por entre a multidão,
Para ires atrás de mim
E responder-te que não.

Não, voltaria a não cantar
Só para me tentares convencer,
Só para teres de me apanhar
E a minha boca humedecer,
Enquanto me estavas a olhar.

Bem longe daqui existe
Para lá das estrelas, do mar
Um lago sozinho onde persiste
Apenas a palavra amar.
Onde estás lago risonho?
Onde estás fantasia?
Onde estás sonho?
Vem-me buscar…
E faz-me acreditar
Que um dia posso voltar…
A sonhar!

Sou a alegria da casa,
A chama que surgiu da brasa,
A iluminação…
Sou o vulcão.
A que está presente
Nas horas más,
Sendo por vezes capaz
De estar triste e sorridente.
Sou a que ouve e escuta,
A que trava sempre a luta
Para fingir estar tudo bem…
Sou a que grita por dentro
Tendo a frase em pensamento:
«Eu também sou alguém!»
Sou a menina mimada,
Que tem tudo e não tem nada,
A que se refugia
Num quarto bem colorido
Para lembrar a alegria
Que poderia ter sido…
Sou a menina mulher
Que não sabe o que quer
E chora a triste sina
De não ser mais menina…
Sou uma ilusão,
A mentira que pede perdão
Sem saber para onde vai…
Sou a que ama mas trai.
Sou a designação de pecado
Que faz do outro culpado
Para se perdoar…
Sou a que fizeste sofrer
E por fim esquecer
O que é o verbo amar!

Eu sou a que sofreu
E tu não viste,
Eu sou a que pediu
Para ficares e tu partiste…
Eu sou a que chorou
Sem tu saberes,
Eu sou a que te procurou,
Sem perceberes.
Eu sou a que fingia…
Não ver a realidade,
Aquela que aprendeu
O que era a palavra saudade.
A que chora sozinha
E calada…
Para quem tu és tudo
E para quem não sou nada.
Eu sou a lutadora,
Que luta para te esquecer.
Eu sou a vingadora,
Que faz outros sofrer.